terça-feira, 4 de abril de 2017

Ou talvez não...


...O homem que disse:
"Eu prefiro ter sorte em alguma coisa, a ser bom naquilo", enxergava a vida de forma profunda.
As pessoas temem admitir que uma imensa parte da vida depende da sorte.
É assustador pensar que há tanto fora de nosso controle.
Num jogo, há momentos em que a bola bate no alto da rede e, por uma fração de segundo,
ela tanto pode seguir à frente, ou cair de volta.
Com um pouquinho de sorte, ela vai em frente e você ganha. ou talvez não, e você perde.

Match Poin - Woody Allen

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Cena beatnik

Pra ficar e pra sumir sem dar explicação. 

Rodeado, e sobrou uma dezenas de versos, e quando ela despejou os doces pela mesa, foi de quatro catando cada bala. é sabor doce, sabor, como os olhos de uma gostosa sombra de videira, iluminada e rara porcelana, fiz a esteira e deitou em neles. Madeira, tão bela nos deixou tão cheios de desejos, sumiu entre histórias e papel ali se acumulava. Laminado, de olhos vidrados sem reflexo, ladainha e tudo mais, o sopro silencioso de seu hálito contraste do gargalhar. Que fim.
Que fim terrível eles tinham. Marcado e pesados pelas suas cabeças primaveril, pendente de desejos e acordado por seus fantasmAs. Lidando por acerto de uma pena quase que prisioneira de seus crimes. Que fim terrível eles tinham, voando por todos os cantos espectadores cegos de desejo, fora do eixo como carro desgovernado que não encontra fim no fundo do penhasco.  Que fim terrível, envoltos cegos com a espada da justiça no pescoço, flutuando pensamentos tão desconexos e sóbrios de realidade. O espaço ali, bêbado deles mesmo, declamam poesia e melancolia. A cena se faz branco e preto, e enquanto as vozes não lhes escutam praticam crimes de entrelaço envolto em pensamentos tão absurdos quanto suas vaidade. Que fim que fosse de ser, mas não mais terrível, que a sede de alguma verdade se perdia entre as mesas de alguém que balança sozinho uma cerveja e titubeia não cair de seu banco e nem enfrenta solitário sua vida. E que linda bailarina és, bêbada a dançar copo entre mesas, equilibrada de toda falta de moral, goza pelas dentaduras destas pessoas tão desmerecidas de você. Pele bem boa essa sua, para zombar de histórias, Barcelona, e fuma cigarro surrupiados, iludidos por lábios bandidos tão afetuosos de carinho. Que fim terrível seria. Que depois de horas ainda fosse vazio, e acordar sem vida em cama, morto de todas coisas, sem mensagem de quem. Ainda fosse levantar de cavalo branco e correr mundo, cansado e babando fraco em beira de estrada. Que fim que fosse e já não sei mais, pois todas as gotas de leite se espalham pelo copo e descem lentamente a formar todos os rostos de uma vida. No final, não ficamos mais que achocolatado preso no fundo. Pela sorte de uma colher rasa que nos leve a mais lábios que sorte. Nem sabe. Fim. Que depois de um tanto de risada e gozos cinematográficos a silenciosa de véu cobre cabeça de pensamentos e o lar nada mais é que um lugar para se dormir em paz inexistente. Como morrer faz falta. E depois de verso aqui, Rubem Alvez, melhor amigo, dividiu comigo os drinks possíveis e me beijou em paz para aqui chegar. Como agradecer tanto desespero compartilhado? Não existe, e talvez nem me cabe. Ficou um frio que levantava blusa a dizer que tudo ali estava vivo, e nas quadradas mesas pessoas redondas a se comportar mal, ficavam como pião solitário a girar, e imaginamos seus universos tão sozinhos e desejamos seus amigos. Relacionando mundo e arte, que terrível que fomos. Mesmo longe de que fosse, Paris ou Budapeste, ainda a declamar seus movimentos com o dedo cruel de bêbados não mais poetas que sóbrios. E como foi, pestana fina de olhos que apagam, o cansar de um dia correr como criança feliz, morrer envolto, já tão velha ovelha, oferenda de tudo, que terrível foi. Gozar de tudo isso e não poder ser ali, a pele segura de mão macia, que dorme tranqüila no abraço que és terrível acordar. Não esquecemos nossos pais, me atravessei oceano mil vezes última noite. Orando vidas para que fosse, e ainda me pegando olhando para o nada, acabei aqui, no fim terrível de tudo que podemos construir, sobriedade.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Filho fiel


pode ser aquele ali, olhe só, tem cinco quartos. perfeito, ela responde, deve ser bem grande, espaçoso, então cada um de nós mora em um quarto, e deve ser tão grande que vamos levar alguns anos para nos encontrar ali dentro, quando acontecer, fazemos um filho, pelo corredor mesmo, depois colocamos ele em algum outro quarto e só o encontramos com vinte anos, para pedir dinheiro ou algo assim, provável. sim. seria perfeito.



misteriosamente ela ganhou ele, nem mais frieza ele tinha, nem mais monossilábico lhe restou ser. com ela, foi ficando a fazer planos, sonhar horizontes, desejar melhores dias e novos rumos, ele tinha novamente aquela criança nele, e desejava. ela não era o que se pode dizer de novidade, o que ela dava para ele se confundia com ele mesmo, então tinha alguma especie de completar fraterno que caminhava diversas linhas. ele por muito só a desejou como uma amante, fuga ela dizia, fora de sua ideia inicial de uma amiga espirituosa, ela foi ganhando traços mais íntimos ao seu pensar. ela colaborava com a rotação de seus pensamentos e longe de algum saber dele que o mesmo acontecia, por algumas vezes ele pode se sentir até mesmo enganado. ela parecia uma valsa suave, de inicio te pegava pé por pé, misteriosa entre tambores, mas com o tempo foi se mostrando como um tango quente, que te pega pelas pernas e te faz ferver o sangue. temia ele, no inicio de tudo, e quando ainda seus cabelos eram uma, ou alguma definição de suas vaidades, o mesmo destino cruel de alguns de seus personagens, dos mais favoritos e dramáticos, algo nele sempre o colocou na estrada mais dramática de que ele nunca conseguiria ter ou ser dela. A principio um Orfeu condenado a nunca mais ver o rosto de sua amada Eurídice, condenado por seu algoz maior, alguma especie de Deus, mas era ele mesmo. a percepção de condição pessoal lhe veio a luz, levou ele até ela. e certamente por ele nunca se agradar  a regra, ele pode abrir algum véu no vazio já do tempo, que poderia chegar nela, sem o medo do tempo. quem sabe ouvir sua voz, e quem sabe ter algum espaço de tempo para dizer o que tinha por ali, um amontoado de saudade. que lhe seria mais sincero com ele, e que se fosse, depois de tudo, o pouco dele despejado pela mesa dela, se fosse dela de ir, pelo menos o alivio do peso de poder se sentir declarado. se parar somente nisso, mas depois de algum tempo também sua própria ousadia lhe incomodava, a que ponto sua, e aquilo que ao mesmo fazem pessoas o amar e odiar lhe agradaria, no mais intimo de seu ser, morava a duvida de sua inquietação. para ele, ela sempre foi tão pura e grandiosa que ele a negou por algumas vezes, erroneamente, medo.medo de estragar o belo que via, sentia. sabia ele que ao pegar na mão dela desta vez, ele seria aquele ar que inflava os pulmões dos mais estranhos e órfãos de rua. suas verbalizações e poemas flutuariam por todo o ar, que depois disso, correr  risco de parecer louco, sonhador, antimatéria, incerto, ela se afastar, milhões de coisas poderiam acontecer de errado, mas a unica coisa que poderia dar certo aconteceu. cativada por aquela exótica imagem, talvez de todos os véus que ele, sempre uma odalisca misteriosa, uma criança inquieta, ficou mais parecendo uma satisfação dela com ele. era o minimo, talvez, que ela esperava, que ele fosse o autentico de seu calor, e ele lhe devia isso, que correspondesse ao todo que seus olhos faiscavam, que fosse mesmo tudo aquilo que dizia sem uma unica palavra. e logo ele, que se via tentando envolver, se viu mais envolvido no que ela tinha se transformado. ela ficou como um planeta para sua pessoal vida, e foi tomando todos os terrenos e abrindo caminhos pelos mares de sua alma. não foi fácil, não sera fácil, e possivelmente se ele contar isso a alguém sera mais fácil a um estranho. é simples, harmonioso e logico. tão logico que esta cheio de possíveis acidentes, por sua simplicidade possivelmente encontraram dezenas de barreiras, e por sua harmonia, certamente criaram dezenas de caos. então foi que em uma frase dita por ela, em um dezembro nublado de alguma época, um fevereiro que não venceu, ecoou por meses em sua cabeça ate o ponto do primeiro "oi" futuro. o "seja mais egoísta" dela tinha um tom de "seja feliz", então se permitindo a toda a pobreza de um apaixonado, cego para todas as outras coisas, e depois de um, dois por do sol, só os olhos dela lhe davam o nascer de um novo dia.



certamente ele queria se apaixonar por ela. e isso lhe ocorreu na primeira vez que a viu. e isso não lhe consumiu desejo maior até ter seus lábios ao dele. as incertezas silenciosas de seu inicio, e depois a voracidade de suas palavras. muitas vezes eles esquecem que é somente um inicio, e que nem isso pode se dizer ser, mas que ficam tentando organizar coisas de universos que colidem de forma constante, criando e transformando coisas, boas coisas, um sonho que beira a realidade de como são e podem continuar sendo tão fortes juntos. como a harmonia para as demais coisas colaboram para que seus olhares ganhem aquilo que es dele, o mundo sorri junto com eles, meio mundo com pão, outra metade já servida, eles sentam e se reconhecem na mesa, sabem das duvidas infinitas da vida lá fora, dos desejos que se transformam, mas ficam confortáveis a olhar para o lugar ao lado e encontrar seus olhos como filhos fieis de seus desejos.



então foi, nos levantamentos dela, e na necessidade dele de beber de um tudo que ela fosse, pois para cada canto dela o desejo de ser lhe tomava. a tragedia maior que a simples partida, ver ela sumir em meio a multidão tão apressada, saber que agora o amanhã é próximo, os lábios selado muitas vezes de desejo, fica com sede do mais que ele pode dar. um ensaio solitário dele para os dias que chegam. e as muitas luas que ele vai olhar sozinho imaginado se seu olhar cruza o dela em alguma noite. seu drama pessoal é tão intimo que ele sorri para tragedia sábio do prazer de ter ela do outro lado, para com ela já nasceu de muito, como é, são estas as condições, primeiro tinha por ali, era imagem, depois era toque, conhecer, e em um relacionamento tão cheio de despedidas silenciosas que existe, nele uma ansiedade para o dia que,  talvez, todo o caos que ele gera em sua cabeça, seja posto em alguma ordem. não sabe dizer se vai ser a ´pessoa que mais vai desejar ver ela novamente, e provavelmente seja a menos importante, mas fica no silencio dele, das declarações que parecem ser despretensiosas, que ele choraria de felicidade só de saber que ela vive feliz. onde for, e pra onde voltar.

Belchior - Musico e compositor brasileiro.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Dentes.


Eu tenho os olhos doidos, doidos, já vi
Meus olhos doidos, doidos, são doidos por ti
Urano andava mais a frente, com olhos aguçados ele calçava o ritmo, Lua colhia flores pelo caminho, mais atrás, mas ainda próxima estava Lua, que começou um jogo de palavras. Ainda jovens de nascimento, nos seus sete ou oito anos de suas terceira ou segunda vida, ainda que soltos pelo Sol, cada um sabia o que lhes prendia, mas se esqueciam do que faziam parte. Ele saltitou pelo caminho criando escadas e ela foi seguindo seus passos, mesmo que sem direção, o ali e aqui pareciam soltos de compromisso, destino, acaso, tempo, tinham um norte qualquer que estava tanto na cabeça de um, ou pelo chão sem sul, por algum momento ora iria para cabeça de outro. Desenhavam as coisas que vinham por ali, e tinham em seus, os olhos, os milhões de ideias que ficam soltas como o ar. Sabe quando você prende o ar por muito tempo, isso não te da um alivio logo depois, quando solta? Sim, respondeu Lua pensando sobre a pergunta. Se como o ar somos, ou seriamos, para onde vai, ou chegamos se nos soltar? Completou Urano.  Lua olhou para o chão enquanto pensava, e achou sua resposta ao observar uma formiga se desfazendo de um graveto. Talvez não importe para onde, mas sim o alivio que sente depois. Como quando você troca as palavras, e eu relaciono sem precisar você explicar.

Deitada, deixando o sono repousar pelo seu corpo e o calor dele dominar sua pele. Cobertas macias e aconchegantes, uma luz azul, o som, o silencio, o respirar, e já quase que dormindo  ela fantasia que o corpo desperte, então nesse segundo ele a envolve seu pescoço com seu hálito, e por debaixo das cobertas ela sente seu corpo arrepiar, era como se o quarto tomasse uma nova vida e agora seus lábios tem uma nova sede, de corpo já relaxado, ela sentia um calor lhe subir pelo corpo, queria ser dominada, queria ser conduzida, queria ser introduzida, penetrada, tomada, sentir o membro rígido dele a invadir seu corpo. Queria dar a ele tudo que era seu, fazer dele, sentir ele em seu intimo até que fosse o estremecer e inundar seu desejo dentro dela. Inundar, transbordar. Embebedar deste.

Lua saiu correndo a frente; era um belo campo de vale verde, sem nada nem ninguém, os olhos do mundo estavam distantes, e Lua assim, nua de suas obrigações, beijou o ar com um sorriso, abriu os braços e começou a girar até se deixar cair pela grama. Ainda sorria, gargalhava, e deitada ali, a sentir cada pedaço daquela terra, ela foi catando entre os dedos o que ela imagina ser liberdade. Urano estava sentado a grama, observava ela pelo campo, ele respirava o mesmo ar, lhe tomava a tudo, e talvez bêbado da felicidade de Lua, ficou em silencio a encher seus frágeis pulmões deste.  Querendo que fosse, um pedaço dela, em sua mesma orbita, sábio se imaginou, que melhor espaço que era, de que mesmo distante, ainda ali, tinha olhos para observar seu giro, seu sorrir, sua tragédia, sua gloria, como ela o mataria, como ela o tragaria de volta. Ela o chamou para próximo, sentiu falta de força, um pouco de sua falta e falta de seu sentir. Ele se ergueu como uma nuvem, e foi se transformando até chegar nela, e logo era como uma raposa a cheirar sua orelha, e ela se fez como uma ovelha para ser devorada. E para quando seus olhos se cruzavam, uma estrela em chama atravessava seu céu. Ela pedia um recolhimento, ele continuou. E logo ele tinha entre os dentes uma novidade, então ela foi engatinhando até suas canelas e cheirou sua flor. Só e em meio campo, perdidos entre o nada ela ficou de fita com seus dedos, mãos tão lindas, então ele a olhou do alto e correu para mais longe, e onde tinha um deserto verde, no meio segundo de tempo que se passou, cem anos, já repousara um lindo caralho no horizonte, tão forte e verde e tudo recolhia de boa lembrança.

Enquanto ela se envolvia aos beijos dele, e suas mãos avançavam pelas suas pernas levantando seu vestido, ela, contra a parede buscava alguma forma de não se deixar cair. Ela buscava seus lábios que fugiam pelos seus peitos, estes já a mesa de sua boca, servidos para devorar, tomados de sua língua, então ele a mordia pelo pescoço e se agarrava em sua bunda como se a fosse antes de ser. Então ela o jogou contra parede, e buscando por seu membro foi abrindo suas calças com alguma pressa, e antes que fosse o ter todo em sua boca, ela o mordeu sob a calça, mesmo assim, e ao abrir o zíper desta o tirou para fora já rígido, como em um gole de sede ela o tomou por inteiro sem respirar enchendo sua boca, e o levou até o fundo de sua garganta como se o desejasse devorar por todo. Ela podia sentir o pulsar de seu coração em sua língua, e para cada pulso do membro rígido ela o tomava com mais desejo, ela o deseja que fosse encher sua fome, e não poupou saliva a repetir diversas vezes esses movimentos até que seu desejo de o ter dentro dela fosse completo. Então ela subiu sua face frente a dele, e ainda segurando fortemente seu pau ela virou seu corpo ao dele, ergueu o vestido a cintura e começou a rebolar sua bunda despida em seu membro ao fim de seu delírio. Ela, meio que virada a ele o olhava, sorria, se esfregava por todo seu corpo como se provocar, ensaiava uma penetração que não acontecia, e as mãos dele não mais sabiam onde pousar, então ela levou ele a sua bunda, seu pau, e lentamente foi colocando dentro dela, e ela mesmo controlava isso como uma orquestra bem organizada, então tirava e voltava a rebolar, sorria, se mordiscava e miava como uma gata, voltou-se a ficar de joelhos a ele e deu mais uma chupada, voltou ofegante e desta vez o posicionou de forma que fosse aos poucos entrando nela. Ela o sentia abria seu corpo, e quando o pulsar da cabeça de seu pau passou por seu anus, ela já tremia de um leve orgasmo, mordia os lábios e se agarrava com força em suas pernas. E foi em movimentos lentos que ela foi o deixando entrar, nos poucos segundos que ela o sentia, o cheiro quente de seu hálito, as mãos a tomar pela sua cintura, seus dentes tão feroz em seus ombros, ela podia sentir como uma eternidade que seu movimentar intensificava seu desejo, então ela pelo pouco que ela fraquejava que o desejo dele por seu corpo aumentava,  ela, por dois segundos de mil anos, pode sentir o jato quente lhe tomando por dentro, e ela gozou de felicidade de poder o senti por todo. Mas ela o queria tanto e mais que virou para seu corpo como se guardar uma raiva. Ele a sorria, e ela ainda queria tomar parte de seu corpo queria uma ultima gota de seu pau.

Estavam sobre uma arvore, esperando o por do sol, de algum oeste qualquer. Quando Lua olhou para trás, o caminho todo que tinham percorrido havia aparecido, todos aqueles anos vivendo juntos pareceram mais um amontoado de entulho. O que será tudo isso? Ela perguntou. Provavelmente todas as coisas que não completamos de fazer, todas nossas historias e todas aquelas outras coisas que esquecemos de levar. Respondeu Urano. Olhe só, parece aquele primo seu! Lua sai correndo em direção aquela pessoa, enquanto Urano gritava para ela não ir. Mas por que não devo ir? Ela virou olhando para Urano enquanto esse se aproximava. Provavelmente isso tudo são só lembranças. Veja, como se estende por todo o sempre, a quanta coisas criamos, como deuses, também cometemos injustiça, essa imagem de meu primo nada mais é que uma solidão, minha, ou saudade ruim. Veja que existem coisas tão alegres também, que novas vidas foram de nascer. Como esse casal que conhecemos nas férias, disse Lua. Sim, mas estamos em férias desde sempre, eu pelo menos, então veja, que agora eles já estão velhos, e ainda juntos. Falou Urano. E que estrela é aquela lá no alto? Apontou Lua, enquanto Urano chegava mais próximo para ver, não é uma estrela, é nossa distancia, ela foi diminuindo com o passar dos anos, agora mais parece um ponto perdido no meio do céu. E saber que de perto ela já foi tão gigante, mas ainda sim ela parecia pequena para nós, ou algum. Nisso Urano olhou para Lua, esta que agora estava feliz por tudo aquilo, o abraçou forte fechando os olhos. Sabe de uma coisa, nós deveríamos ver tudo isso algum dia. Falou Lua saindo de seus braços e andando pelo campo. Sim, mas, essas coisas não ficam para esse lado, falou Urano ao ver Lua se distanciar. Sim, eu sei, respondeu Lua, mas existe tempo para isso, como não haveria, essas coisas tem suas próprias vidas, casas, agora venha, homem, vamos criar, mais, mais. Sussurrava Lua, enquanto Urano corria para alcançar ela.

Trecho de Telhados De Paris de Nei Lisboa
Imagem: Napoleão cruzando os Alpes de Jacques-Louis David 

terça-feira, 7 de junho de 2016

A metade escura do azul.


Burnman sacudia pela cidade, ele e seus cigarros de fumaça azul, por todo o pedaço cinza e poeirento de lá ou de cá.

Burnman e seu esqueleto alto, seu casaco negro e sapatos marrom, subindo calçadas e atravessando onde não tinha sinal.

Burnman de expressão cinza para climas nublados, de olhos vivos para algum raio de sol, ainda noite delirava por alguma estrela de brilho só.

Burnman que teve que se reinventar entre girassóis musicais, que dançavam com os astros, atrás de toda a lama espacial que espalhava pela sala.

Burnman apreciador de cheiros doces, de peles frias, de hálitos quentes e dentes ferozes, perdia seus pedaços por cantos juvenis de uma doce historia.

Burnman de um só coração, partido em mil pedaços e recolhido por fraca miopia, fragmentos por todo o lugar.

Do surreal, do absurdo; confusão entre o real e a ficção, estado hipotético de penumbra, de danação absoluta e de submissão ao imaginário. Crise de identidade entre o mundo e o indivíduo. Estávamos chegando próximo do inicio, como se fosse nos dizer algo, era mais visível e divisível que chegar. Era perceber.

KafkiAno, o pensar das coisas que se movem por uma terra e ter de tudo que se pode ser, absorve almas e as coloca no bolso direito de seu casaco marrom, leva consigo como se fosse uma lenda, uma fantasia, sonho, delírio, enquanto os lobos uivavam por montanhas solitárias, no frio de um inverno chuvoso, se fez entender como se em um chamado de socorro era reciclável.
AnsioSa no fantasiar, a sede de sua água secar rios e lagos, e como um cortar de estrela no céu escuro do campo mais árido e frio do sul das Américas, o pampa vazio recebe essa luz com braços acolhedores por todos os choros de lagrimas não derramados e sorrisos demostrados ela estava por todo o lugar. No mesmo dos contos sexuais de uma juventude como nossa, era sua.
OraÇão dos amantes mais quentes, febre de enfermos do algo mais. Navegando como um barco sem desestruturado de destino, tomado por aventura de lábios quentes, de mãos macias, de pernas tomadas por destino, paixão e sorte. O gosto forte não nos deixa e nos apaixona o paladar.
NatureZa fantástica de pensamentos e desejos. Perdura no ar como um denso ar saboroso de se respirar, quando as pernas se trocam pelas cansadas e as risadas tomam ar de gargalhadas, seus olhos brilhando e corpo tomando de fogo. Você me é onze horas de um dia, a paixão de uma chuva fresca no verão, e tomada de um cobertor quente no inverno.
ImpulsiVo de natureza, tomei de mim alguma gota de seus suor, em minha vida derretia sua pele como açúcar, a salgar minha língua e adoçar minha memoria, você não me tirava o sabor, que em meio a tantas vozes em meus ouvidos, era como se pudesse sentir seu coração a bater sozinho neste peito que tanto mora meu estar.

Burnman das mil meias brancas, de pares coloridos, da voz rouca, da voz baixa, da falta de comando, do excesso de acolher, dos absurdos de ouvir.

Burnman dos olhos que perguntam, dos ouvidos que escutam. Das vozes que se calam e das historias que não respiram.

Burnman dos livros tomados, das vidas perdidas, das paixões e das curiosidades. Das historias malucas e sem fim, das conclusões e reticencias.

Burnman das fugas, dos desaparecer, das horas e horas que faltam sempre, e do algo mais que fica sempre a alguma esquina de tirar nossas vidas.

Burnman dos lugares que nunca vamos a planejado, das perguntas inconvenientes, inocentes e dos sorrisos de uma Carmen qualquer.

Imagem retirada do filme de Wes Anderson, Moonrise Kingdom